Colocar a cabeça no lugar da cabeça, o corpo no lugar do corpo e o sexo no lugar do sexo
Eu preciso colocar a cabeça no lugar.
Eu preciso colocar a cabeça no lugar da cabeça.
O corpo no lugar do corpo.
E o sexo no lugar do sexo.
Tenho misturado tudo? Tenho.
A cabeça vai para o corpo.
O corpo vai para a cabeça.
O sexo vai para a autoestima.
A autoestima vai para o sexo.
E, sim, claro, eu sei que estamos no tempo de dizer que tudo é corpo, não tem separação, etc, etc, etc.
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Eu, no momento, fico tentando organizar a bagunça que comecei justamente porque coloquei tudo no mesmo lugar.
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Talvez, depois dos trinta, eu conclui que óbvio que o corpo não é meu funcionário.
Engordei.
Fiquei mais lento.
Adquiri dores.
Algumas coisas mudaram.
E até o sexo, que durante muito tempo parecia uma coisa relativamente simples, começou a revelar uma quantidade enorme de coisas que eu não tinha percebido.
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Expectativa.
Medo.
Masculinidade.
Desejo.
Desempenho.
Vergonha.
Validação.
Controle.
E, principalmente, a necessidade de que meu corpo confirme alguma coisa que minha cabeça decidiu sobre mim ou o contrário.
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O que está acontecendo comigo?
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“Senhor Robson, depois de uma análise cuidadosa, concluímos que o senhor não é mais capaz.”
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Muda.
Pára.
Começa.
Pára.
Dá errado.
Pára.
Não aguenta.
Pára.
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Temos que transformar tudo em significado.
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A cabeça é uma máquina impressionante de produzir significado, muitos deles falsos.
Então quase nada me deixa em paz.
Tu sentes alguma coisa e pergunta por quê.
Tu não sentes e tu perguntas por quê.
Tu desejas alguém e te perguntas o que isso significa.
Tu não desejas alguém e, imediatamente, te perguntas o que isso significa.
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Eu deixo de participar da experiência para começar a assistir à minha própria participação nela.
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É viver com uma câmera dentro da cabeça.
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Ansiedade.
Cobrança.
Necessidade de controle.
Medo
Medo de falhar.
Medo de não sentir.
Medo de sentir.
Vergonha.
Comparação.
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Tá todo mundo pronto, mesmo dizendo que não tá.
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E se tu deixar a cabeça pensar quando for hora de pensar?
E se tu deixar o corpo sentir quando for hora de sentir?
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Tá, eu sei que é [tudo] junto, que chatice.
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Quanto a isso apenas penso em quando colocamos pensamento demais onde deveria existir experiência sensível.
Eu não preciso compreender tudo antes de viver.
Nem preciso compreender tudo depois.
Algumas coisas podem simplesmente acontecer.
Somos e fomos ensinados a interpretar tudo, o tempo todo.
E quando nada corresponde à imagem que criamos?
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eu não sei.
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No momento, EU NÃO SEI.
Não sei por que ontem eu não quis.
Não sei por que meu corpo respondeu.
Não sei por que não respondeu.
Não sei por que aquela pessoa me excitou.
Não sei por que aquela outra não.
Não sei o que isso diz sobre mim.
E talvez não precise dizer.
Talvez uma experiência possa ser apenas uma experiência.
Eu acho que estou aprendendo isso um pouco tarde.
Tenho 31 anos.
Meu corpo mudou.
Minha cabeça mudou.
Meu desejo mudou.
Eu mudei.
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“Crescer” é aprender a controlar cada vez menos aquilo que não precisa ser controlado.
Faz tempo que eu não me cuido.
Eu me vigio.
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Colocar a cabeça no lugar.
Mas não qualquer lugar.
A cabeça no lugar da cabeça.
O corpo no lugar do corpo.
O sexo no lugar do sexo.
A preocupação no lugar da preocupação.
O desejo no lugar do desejo.
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E talvez, principalmente, eu no lugar de mim.

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