Lembro da minha ascensão e da minha queda
Eu lembro de quando tudo só dava certo.
Lembro de quando me sentia capaz.
Lembro de quando eu conseguia.
Conquistava.
Lembro de vários dos alguns muitos dias que esqueci e esqueci sem parar, quando olhava por muitas janelas (do Seu Xavier ou do Seu Cosme), olhar para trás e reconhecer o quanto tinha caminhado e de, alguma forma, ter certeza do futuro.
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Eu estava subindo.
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Mas quando comecei a cair eu não lembro de ter esquecido nem um pedaço.
Tive a certeza de que foi tudo de uma vez.
Vi tudo desmoronando diante de mim mesmo.
Enfim.
Fui perdendo muitas coisas.
Dentre elas, a mim.
Depois outras.
As muitas e múltiplas versões de mim.
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Agora... olho ao redor...
E sequer reconheço a vida que construí.
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Inclusive eu mesmo.
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O que mais dói da queda foi ter caído.
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É lembrar que eu estava subindo.
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Sei que vou virar testemunho.
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Hoje não consigo mais chegar.
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Por que a gente fala tanto sobre recomeçar?
Parece que é bonito começar de novo.
Parece que é bonito perder oportunidades.
Enfim.
Não acho bonito.
Eu sinto raiva.
Saudade.
Vergonha.
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Sinto falta de coisas que sei que não vou recuperar.
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Eu esqueço da minha ascensão.
Lembro da minha queda.
Lembro da minha ascensão.
Esqueço que ainda tô em queda.
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Não vou apagar nada.
Não tem como.
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Só ainda não sei o que fazer com essa memória quando ela começa a pesar tanto.

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