Como fugir do proibido?
Este post começou do seu exato momento.
Começou agora. Agora.
Eu poderia ter começado pelo começo, mas acho que aqui nada começa assim.
Foram tantos fins, mas tantos, que nem lembro mais dos começos.
Começo aqui.
A vida inteira aprendendo coisas a reprimir.
Ser reprimido. Pra depois doer no fundo.
Estou me sentindo livre para escrever esse diário que não tem dia.
Pois foram tantos desejos, pessoas, desejos, ideias, desejos, impulsos, desejos; foram tantas (d)essas coisas que esqueci de querer.
Só evitei.
E evitei de novo.
De novo.
O novo.
Eu quis criar (n)a vida inteira um terreno seguro, território sem dor; ameaça? Por lá! Não aqui!
Quanto mais me aperfeiçoei em nunca ceder, fui cedendo, cedendo, por dentro.
Cedi tanto que me desmanchei.
Proibido.
Não pode.
Não ser.
Deixei.
O ser.
Não pode.
Pode!!!!!
Só não deve.
Desvê, des-sente, desfaça, disfarça, a farsa.
Consegui fazer mal feito. Mas feito.
Mas tão mal feito que está cedido.
Cedeu.
O que cedeu cedeu. Não tem mais como desceder.
Cedeu.
Só que doeu
Doeu se abrir inteiro em rachadura.
Dura, né? Dura!
Aqui já não tem mais graça. Não endurece.
Quer dizer, caiu de maduro. Tão maduro que morreu, duro!
Enfim.
Não é para poder.
Não pode poder.
Só pode morrer.
Às duras, e quase sempre duras, penas.
Quão duras foram as ações que me proibiram de pecar e viver em pecado?
Quantas duras não levei ansiando levar outras duras.
Eu queria duras. Mas não aquelas opiniões - maduras.
Aquelas duras com carinho, que com carinho transpassassem o desentendimento da linha curva que alcança um caminho - retal caminho.
Uma pessoa dura.
Eu queria.
Uma pessoa dura.
Que quando nua e crua recai em um Estado de religiosa perseguição contra si mesmo.
Uma dura! Do Estado, da Religião e de mim mesmo.
Caí duro.
Caí duro, mas não endureço quando vejo que não podia ter endurecido por qualquer coisa nem para qualquer um.
Por pouco não me tiraram do jogo, e ainda querem me tirar.
Então grito:
-- COMO FUGIR DO PROIBIDO?
-- NÃO FAZ ISSO COMIGO!
-- NÃO ME COLOCA O DESEJO, NÃO ME PLANTA DESSE JEITO, NÃO ACABA COMIGO!
-- Não me planta!
-- Não acaba comigo desse jeito.
INGRATO!
Insana.
Incompleta.
INGRATO!
É proibido existir por natureza! E eu estou pagando caro.
Existem coisas que são proibidas por si mesmas. Existem coisas que me disseram que não era para estar lá, e estalaram!
Estalaram aqui dentro como um pau que não se ergueu; mas que caiu duro.
Par ti do ao me io
Instalaram um ser como daqueles que se devolve primeiro.
no primeiro
beijo
mijo.
Alimento não pode.
Comer não pode.
Roupa não pode.
Palavra grande não pode.
Post grande: impossível!
Pode tudo aqui em terra de neném, só não pode mamar o leite que não tem!

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