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O meu corpo obedece ventos: sobre o meu caminho, mudanças e ser de Oiá

Foto do escritor: inventandorobson null
inventandorobson null
1 de set.
3 min de leitura

Percebo que meu corpo obedece ventos quando, ao pensar que me torno rígido para evitar mudanças, acabo sendo muito mais suscetível a elas do que eu mesmo podia imaginar.


Quando me pego super-resistente a qualquer tipo de alteração, o que de fato consigo perceber é que talvez essa seja a maior de todas as minhas falácias.


Eu mudo muito e, às vezes, eu percebia isso, porém, por vezes, essas mudanças passavam batidas e eu sei lá de onde, na minha cabeça, eu sempre julgava que odiava qualquer tipo de mudança.


Só estou escrevendo esse texto porque, depois de tantas mudanças, eu consigo começar a perceber que mudo pra um caramba.


Foram tantas mudanças de casas, bairros, cidades, trabalhos que se torna inegável [pra um caramba] que eu era um sonso quando negava qualquer pressuposto de odiar mudar.


Mas, pera, não é só porque uma pessoa tem mudado [pra um caramba] que ela ame estar mudando a todo momento. E eu sei disso.


Porém, a negação de nunca querer mudar leva pra um outro caminho, que é o de sentir dor quando as mudanças chegam. E nisso eu sou especialista.


Basta uma nuvem diferente se aproximar que eu já estou me lamentando.


Porém, depois de tantas partidas, tantas mudanças — forçadas ou não —, talvez eu finalmente tenha encontrado um lugar pra esse tipo de acontecimento dentro da minha cabeça.


O que penso é que assumir minimamente esse transtorno na minha cabeça faz com que eu assuma e permita uma espécie de circulação de vento dentro de mim.


Eu percebo principalmente o seguinte: eu tenho dificuldade de permanecer onde o vento já não passa.


Porém, por muito tempo morei em um lugar onde não circulava nem um pouquinho de vento. Era um quadrado escuro, não passava luz nem vento e, sim, eu gostava daquele lugar, porém [de novo], por não gostar da admissão do aspecto de mudança na e da minha vida, talvez eu só gostasse tanto por sequer gostar de experimentar outras coisas.


Sim, me sinto atraído à experimentação, porém nunca disponível a ela.


Talvez eu tenha passado um tempo chamando isso de estabilidade, porém… aquela coisa, né.


Hoje começo a pensar que talvez seja outra coisa, ou outras coisas.


Enfim, é aquela coisa… [de novo], há quem consiga caminhar sem medo de trilhar seus caminhos, mesmo que, mais pra frente, eles se apresentem completamente surpreendentes.


Há quem consiga. Eu não.


Sempre pensei ter uma direção e, de certa forma, sempre a persegui, e com afinco, no entanto, quando as direções começaram a mudar, aí a giripoca piou.


Não sou muito bom em caminhar enquanto o caminho se caminha.


Sei lá, quando vi os caminhos mudarem, eu só consegui pensar que talvez eu, de fato, não tivesse um caminho, mas, sim, tão somente ventos que me levavam e, em certa medida, me arrastavam para os lugares onde eu deveria estar e que, claramente, não eram os quais eu queria ou já tinha planejado previamente pra mim.


Enfim.

Enfim.

Enfim.


Enfim!!!!!!!!!


Será que o vento é ausência de direção?


Uma árvore fica pra trás porque tá enraizada?


Tem uma coisa no vento que é ou ser levado ou saber se mover.


Eu, sinceramente, acho que sou ruim nos dois.


Não sei me mover me sustentando ao mesmo tempo.


EU SINCERAMENTE acho que nunca mudo, mas sim FUJO, de tudo!


Quando eu “decido” ir embora, eu sinto que, na verdade, eu tô fugindo.


E às vezes eu só corro pra não olhar pra trás mesmo.


Eu não sei se vivo o movimento ou só apago de algum jeito tudo que já foi por mim vivido.


O que significa ter um caminho?


É aquele papo de propósito?


Eu poderia desaparecer, sinceramente! Só pra não ter essa responsabilidade.


Que porra de responsabilidade é viver!


Queria prometer não falhar, não queria voltar, não queria acontecer, não queria mudar, não queria ficar, eu não queria estar e muito menos ser!


Oiá é movimento e eu não sei me movimentar.


Oiá é vento e eu não sei voar.


Oiá é transformação e eu não vou nem falar!


Mudar.


Partir.


Retornar.


Não quero retornar.


Eu tô sofrendo por causa de retornos!


Recomeçar. Eu preferiria nunca precisar.


Eu não sei em qual caminho encontro conforto.


E se eu mudar?


.

.

.

.


Como se já não tivesse…


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