Preocupação lá em cima, pau lá em baixo
Eu brochei?
Foi assim e pronto?
Não acho nem um pouco difícil escrever sobre isso.
Há pouco tempo fiz 31 anos de idade.
Acho que as coisas no meu corpo estão um pouco diferentes: engordei, fiquei mais lento, adquiri muito mais dores, enfim. Até a cabeça desaliviou.
Eu, como alguém que trata o pau como se fosse uma espécie de certificado de masculinidade já tinha, consciente e inconscientemente, estabelecido que, se sobe: tudo bem…; mas se… se… se… não tinha esse "e se...". Nunca cogitei esse “se…”.
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Enfim.
Mano, ficou meia-bomba.
É isso.
Foi a primeira? Não. Mas essa marcou diferente.
Não foi exatamente um “brochar”.
Eu estava com alguém e em algum momento, percebi que meu corpo não estava acompanhando a situação como eu esperava.
Fudeu?
Foi esse o problema. Quase não fudeu!
Eu estava cansado?
Hoje não está rolando?
“Bom, meu corpo não precisa responder exatamente como eu quero”.
Fudeu.
Comecei a refletir sobre o que era fuder.
E não quis chegar a nenhuma conclusão, só sentir... [era o que tinha para aquele noite mesmo].
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Quando vi, aquilo deixou de ser uma coisa que estava acontecendo e virou uma coisa sobre quem eu era.
Eu não tinha simplesmente ficado meia-bomba. Eu tinha, na minha cabeça, falhado.
O problema é que depois eu fiquei com meu namorado.
E aconteceu de novo.
Meia-bomba.
Aí foi quando minha cabeça realmente fez a festa.
“Tá vendo?”
“Não foi a primeira vez, mas aconteceu de novo.”
“E se acontecer sempre?”
“E se eu estiver ficando impotente quanto ao que eu mesmo sei ou não sei se gosto ou não?”
“E se eu não conseguir mais sentir nada?”
“E se eu estiver com alguém e acontecer de novo?”
“E se a pessoa perceber?”
“E se eu perceber antes?”
“E se acontecer de novo?”
Agora, pensando...
Existia uma quantidade absurda de coisa acontecendo.
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Eu estava preocupado em ficar com aquele menino.
Mas não somente em ficar com aquele menino.
Eu queria conseguir ficar com aquele menino [pois eu nunca fico].
E isso é completamente diferente.
Eu não queria apenas ter aquele encontro.
Eu queria que o encontro desse certo.
Queria estar excitado.
Queria que meu corpo respondesse.
Queria que ele percebesse que eu estava interessado.
Queria estar interessado do jeito certo.
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Ah!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Queria não pensar demais.
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Queria não perceber que estava pensando demais!
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Só que eu estava.
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Pra caralho.
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“Agora dá?”
“Tá diminuindo?”
“Será que eu não quero?”
“Será que já estou broxando porque estou pensando que vou brochar?”
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Enfim.
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Não fudeu.
Mas depois fudeu.
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Como é que se consegue relaxar verificando o tempo inteiro se se está relaxando?
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Como é que eu vou sentir o desejo se estou sentado dentro da minha própria cabeça fazendo uma auditoria minuciosa do meu desejo?
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Eu tinha transformado uma experiência em uma prova [sou bom pra caralho nisso].
E eu era o aluno.
O professor.
A banca.
O fiscal.
E o próprio filho da puta que ia corrigir a própria prova momentos depois :)
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Quantas vezes tu já transformou tuas experiências - e eu não to falando das sexuais - em desempenho?
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O sexo precisava funcionar.
O encontro precisava funcionar.
A conversa precisava funcionar.
A viagem precisava funcionar.
O trabalho precisava funcionar.
O relacionamento precisava funcionar.
A vida precisava funcionar.
Até que, de repente, até o prazer - que nem deixou eu completar a frase - parou de funcionar com tudo. Acabando com tudo mesmo...
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Cadê o prazer?
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Engraçado que um dos pré-requisitos do prazer é o “q” de alguma coisa de descontrole.
Tu não decides: “Hoje eu vou desejar essa pessoa em intensidade máxima durante as próximas três horas.”
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Parecia que eu queria resolver uma crise existencial inteira numa foda.
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É muita responsabilidade para um pau.
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Depois que aconteceu com meu namorado ficou ainda mais claro para mim que eu já estava há muito teeeemmpooooo dentro de um ciclo. De um ciclo que sequer me deixava sentir prazeeerrrr.
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Eu tinha ficado meia-bomba com um rapaz.
Aquilo me assustou.
Depois eu fiquei com meu namorado já preocupado com a possibilidade de acontecer novamente.
E aconteceu.
Aí o segundo episódio parece confirmar o primeiro.
E agora o primeiro parece justificar o segundo.
E assim segue vida toda.
Segue mesmo?!
Não quero!
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Eu poderia passar meses tentando resolver um problema que talvez tivesse começado justamente quando eu comecei a tentar desesperadamente resolvê-lo.
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:)
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Eu não estava cobrando apenas que meu pau funcionasse.
Eu estava me cobrando ficar com qualquer pessoa.
Era como se eu precisasse provar alguma coisa para mim mesmo.
Não basta desejar.
Precisa conseguir.
Não bastava estar com o alguém.
Precisava corresponder.
Não bastava acontecer o encontro.
Precisa interpretar dentro dele.
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Eu fiquei pensando em quantas vezes a gente chama de impotência aquilo que talvez seja a tua pura ansiedade.
Quantas vezes tu chamas de falta de desejo aquilo que talvez seja só teu excesso de pensamentos.
Quantas vezes tu pensas que o teu eu-corpo está falhando quando, na verdade, o tu-corpo está apenas respondendo a uma situação que a tua cabeça transformou em ameaça constante e ideal de conquista e auge de preocupação.
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Nem tudo que eu quero precisa acontecer exatamente quando eu quero!
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Nem todo encontro precisa dar certo.
Nem toda experiência precisa terminar como imaginamos.
Nem todo desejo precisa ser comprovado.
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Preocupação lá em cima, pau lá em baixo!
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Minha cabeça está trabalhando em tempo integral.
E aí meu pau fica se perguntando por que caralhos que ele também precisava participar de todas as reuniões.
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No fim das contas, talvez eu tenha descoberto que eu sou impotente mesmo, impotente pra um monte de coisas nessa vida.
Por vezes eu não dou conta mesmo, porém abrir a boca pra dizer que tu não está dando conta já é dar conta pra caralho!
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Já basta a vida te cobrando o tempo inteiro, e tu ainda coloca o teu pau pra entrar nessa história?

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