Sobre esperar, mas quando na despedida só se consegue ansiar
Tô falando da Cleiane.
Ela viajou de novo pra São Paulo.
E agora me peguei pensando mais uma vez sobre como despedidas (forçadas ou não) me colocam numa situação de querer descomunalmente que a alguma coisa volte.
De todos que já me despedi sempre esperei que voltassem, e esperar, claro, tem a ver com criações (im)possíveis de futuros que nunca vão existir.
Enfim. Toda despedida me faz esperar mais uma vez, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, por uma coisa que nunca chega.
Tem quem tenha calma pra esperar, eu não tenho.
A palavra da moda agora é urgência. Só se fala nisso, não se fala de outra coisa. E, é só tu veres, que cada vez mais o que mais tem aparecido é gente dizendo que sofre de urgência.
Enfim, é muito escroto tu perceber que tu já sentia algumas coisas antes delas terem virado moda, e que agora tu sequer podes manifestar, ou falar delas, porque todo mundo vai te enquadrar nessa mesma moda.
Engraçado que quando a Cleiane viajou falávamos sobre o fim, o término do curso dela. A gente dizia o tempo todo: ainda não, ainda não tá na hora, nunca chega a hora.
Porém, eu já tava gritando que precisava ser a(h)(g)ora.
Tô naquele papo do não conseguir habitar o intervalo entre o agora e o que ainda está pra acontecer, mas que eu já queria que tivesse acontecido.
Enfim. Parece que esperar tem sempre a ver com se despedir; e eu vivo esperando, e eu vivo me despedindo.
Eu odeio que as coisas acabem justamente porque fico puto de ansioso para que algo novo logo (re)comece. Tudo parece pouco, insuficiente, tudo dura mais do que deveria durar ao mesmo tempo que durou muito pouco do que deveria ter durado.
Eu não sei quando as coisas acabam, não sei lidar… enfim. Eu queria acabar junto quando as coisas acabassem.
Enfim (de novo). Quero apenas fazer constatações!
Não consigo aproveitar, só ansio.
Não consigo fazer o contrário.
Sinto que devo registrar, que devo e não devo sentir, consentir, fazer sentido.
Consigo guardar, jogar fora e mesmo assim ficar entulhado sem nada dentro da casa que sou eu.
Mas na hora de despedir…
Eu volto a querer só a des-existência.
E a desistência também.
Enfim. É sempre perder alguma coisa. É sempre soube não saber perder.
Nunca tem depois.
O depois nunca chega.
Queria me despedir…
de mim.
Enfim, a pressa de ver a Cleiane voltar, significa vê-la formar logo, e, isso, pra que tudo acabe!
Mas, quando acabar, a gente tem certeza que não vai saber o que fazer ou mesmo o que deveria ter feito.
Parece que agora a gente não quer mais 5 minutos, ao mesmo tempo que a gente queria parar só nos 5 minutinhos que em algum momento fizeram algum tipo de sentido.
Que passe logo! Mas que não acabe! Não tem o que fazer! E realmente não tô fazendo nada!
Não sei esperar, só ansio.
Eu não tô fazendo nada!
A gente acha que nada vai chegar. A gente realmente não sabe o que esperar. Não temos mais nenhuma confiança.
E se a gente não esperasse mais nada?
Mesmo sabendo que nada se repetirá, o agora parece que não nos gera mais nenhum tipo de interesse.
Enfim!
Talvez eu queira permanecer em alguma coisa, que talvez seja paz. Mas, por enquanto, só resido no aperto, desejo, expectativa.
Se despedir é encontrar alguma coisa?
Encontrar o quê se nunca estivemos ali?
O que tu achas, Cleiane?

Parece que a gente vive no verbo esperar a vida toda, até mesmo quando eu estou aí estamos no modo de esperar pela minha próxima ida (ou tua vinda), pela minha formatura, pelo momento que começarei/começaremos a viver, mais uma vez caímos nessa eterna ânsia do que é viver e nunca vivemos de fato esperando viver algum dia. A gente grita pra que seja agora, mas tenho medo de não saber lidar se for agora ou se for depois, tenho medo de quando chegar o depois eu acabar ansiando por outro depois e nunca encontrar alguma coisa. A gente vive esperando, a gente vive se despedindo. Queria não esperar mais nada, queria aproveitar o aqui e agora, queria não só…